O loteamento Junção, um dos bairros mais recentes do Rio Grande, recebeu neste sábado, 14, o Festival de Arte e Cultura do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM). Realizado a partir das 14h, em frente à Praça Michelle Freitas, ao lado da sede do movimento, o evento gratuito reuniu oficinas artísticas, apresentações musicais e uma batalha de conhecimento. Financiado pela Política Nacional Aldir Blanc, o festival teve como objetivo incentivar a produção cultural periférica e ampliar o acesso da comunidade a atividades artísticas e educativas, fortalecendo a identidade cultural e o uso do espaço público.

A iniciativa ocorre em um contexto de construção social do próprio bairro, onde os moradores ainda buscam consolidar direitos básicos. Nesse cenário, a Praça Michelle Freitas já se consolidou como um importante ponto de encontro para crianças, jovens e adultos, especialmente pela proximidade com o galpão que abriga a sede do MNLM, que atua como um polo de convivência e organização social. Para os organizadores, o festival foi uma oportunidade de fortalecer o sentimento de pertencimento dos moradores e estimular a circulação da arte local em um ambiente comunitário.

A programação começou com três oficinas simultâneas, atendendo a diferentes públicos e linguagens artísticas. O artista Ariel Lextilo comandou uma oficina de grafite, enquanto a gravadora Afrogang conduziu uma atividade voltada à cultura hip-hop. Paralelamente, a pedagoga Janaina Araújo ofereceu uma oficina destinada às crianças pequenas. Após as atividades formativas, o palco foi ocupado por artistas da cena local, com apresentações de RHZ, Lia OG, Igbo, DJ Mdbetas, Tais Carolina e D.U.C.K, destacando a diversidade da produção cultural urbana da cidade.

O encerramento do evento ficou por conta da batalha de conhecimento, uma atividade inspirada nas tradicionais batalhas do hip-hop que mescla debate, improviso e reflexão sobre temas sociais. A disputa aconteceu em dois momentos, às 19h e às 21h30, consolidando o festival como um espaço de partilha, convivência e expressão cultural. Aberto a toda a comunidade, o evento reforçou o papel da arte produzida nas periferias como ferramenta de transformação social e valorização do território.