CARTA DO MOVIMENTO POPULAR URBANO AO POVO BRASILEIRO
O Movimento Nacional de Luta pela Moradia remete esta carta ao conjunto de sua militância, mas também e ao mesmo tempo faz um convite ao conjunto de organizações que lutam pela Reforma Urbana no país, para conversar e construir um programa que dialogue com a pauta urbana com o povo brasileiro.
Queremos construir um programa para consolidar uma nação, queremos construir um programa para encantar e mobilizar as massas com o processo político pedagógico e metodológico, portanto não queremos construir um programa só para as eleições, o queremos com a perspectiva de acumular forças, de construção de uma hegemonia política para construção da sociedade socialista, sem explorados e exploradores.
Nossa história é marcada por ocupações ousadas, resistência a despejos, marchas e mobilizações que colocaram a questão da moradia na agenda política nacional. Fomos protagonistas na criação do Ministério das Cidades, na formulação do Estatuto da Cidade e na implementação de programas habitacionais.
NOSSA ANÁLISE DA REALIDADE BRASILEIRA
Queremos construir um programa afirmando que a crise do capitalismo em sua fase neoliberal no mundo, tem sua selvageria reproduzida no Brasil a partir do controle predominante realizado pelo sistema financeiro, pelo agronegócio e pelas empresas transnacionais ou multinacionais.
A violência e a ganância desenvolvida por estes setores, suas submissões e sua dependência ao capital internacional, produz as realidades que presenciamos todos os dias:
"O atual estágio onde há um claro predomínio da selvageria do sistema financeiro internacional, a rigor, o que a gente tem hoje não é uma crise só do neoliberalismo, é mais profundo que isso, é um estágio de decadência do capitalismo e do ponto de vista político que a gente quer superar o neoliberalismo e o capitalismo, não acreditamos na superação do neoliberalismo em favor de um capitalismo civilizado."
REFERENDO REVOGATÓRIO E CONSTITUINTE
É preciso aproveitar o calor do debate político entorno das eleições e da candidatura do Presidente Lula, para colocar em pauta os principais problemas que o povo tem vivenciado e realizar um grande processo de mobilização popular, para convocar as massas a intervir na situação. Combater as ilusões fomentadas pela burguesia e pela pequena burguesia no processo eleitoral, na institucionalidade do parlamento e do judiciário, enquanto únicas vias para solucionar os problemas do povo.
Esses organismos podem ser instrumentos de mediação, desde que a intervenção nos mesmos esteja alicerçada na estratégia de pressão popular, pois o metabolismo do Estado sempre pende a atender as demandas dos ricos. Nesse sentido, há que se colocar em pauta medidas que efetivamente podem restituir os direitos e o patrimônio que foram tomados de assalto com o golpe.
O Referendo Revogatório da reforma trabalhista e da previdência, das privatizações, do Programa Casa Verde e Amarela, da Reforma do Ensino Médio, da EC 95, da Lei da Grilagem de Terras, da Lei Antiterrorismo e da Lei de Segurança Nacional, entre outras medidas do golpe, se articulado com uma ampla campanha de rua e de massas, pode ser o pontapé inicial para a reconstrução do Brasil enquanto país soberano.
Esse processo de amplo debate e agitação das massas, deve abrir caminho para o debate sobre uma nova Assembleia Nacional Constituinte, que refunde a República no país, tendo como pilar fundante desse processo, a participação ativa dos trabalhadores e trabalhadoras, exercendo o poder político do país e construindo o futuro, sob a bandeira de suas reivindicações.
HABITAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA
A realidade da moradia no Brasil fruto da concentração territorial, densidade demográfica e desinteresse do Governo Federal, recoloca o aumento sistemático do déficit habitacional. Em 2019 já éramos 5,8 milhões de famílias no déficit habitacional quantitativo, e 24 milhões no déficit qualitativo. Ao mesmo tempo a existência de 84% da população, residindo em apenas 0,86% do território nacional e um Governo que apresenta um orçamento de 2021 de 0,0001% para essa dimensão. É uma prova concreta do grave contexto que a vida na periferia se apresenta.
A destruição da política habitacional que produziu 4,5 milhões de moradias, é comprovada em comparação ao governo atual que entregou apenas 20 mil unidades em 2021. Além disto, foram mais de 3,5 milhões de empregos gerados no setor da construção civil e que foram fechados.
Nossos Princípios
- Luta pela Moradia Digna: Defendemos o direito à moradia como um direito humano fundamental, garantido pela Constituição Federal.
- Reforma Urbana: Lutamos por cidades mais justas, democráticas e sustentáveis, com a função social da propriedade cumprida.
- Organização Popular: Acreditamos no poder da organização das famílias para conquistar seus direitos.
- Democracia Participativa: Defendemos a participação direta das comunidades nas decisões sobre suas cidades.
- Justiça Social: Combatemos as desigualdades e trabalhamos por uma sociedade mais justa e igualitária.
Nossa Proposta
O MNLM luta pela implementação de uma política nacional de habitação que garanta:
- Construção de moradias populares em grande escala
- Regularização fundiária das ocupações existentes
- Combate à especulação imobiliária
- Destinação de áreas ociosas para fins sociais
- Participação das comunidades na gestão habitacional
- Orçamento participativo para habitação
Por isso defendemos:
- Retomada da Moradia como prioridade, com MCMV com subsídio para a população mais vulnerável
- Garantia de que a política habitacional seja operacionalizada pelo FNHIS potencializando assim, o SNHIS
- Priorização da autoconstrução e da autogestão com programas como o MCMV - Entidades
- Garantia de recursos sistemáticos, incluídos na peça orçamentária do governo federal
- Retomada do Programa que destina terra e imóveis Públicos Federais para habitação popular
- Enfrentamento da regulamentação do art. 182 da constituição implementando em nossos Centros Urbanos o direito à moradia
- Implementação da política de enfrentamento dos vazios urbanos através de "OCUPAR E MORAR NO CENTRO É LEGAL"
- Recuperação do acúmulo do debate sobre a Regularização Fundiária desde a constituição de 1988
- Incremento com mais agilidade a regularização fundiária, implementando a regularização administrativa
- Garantia da implantação de infraestrutura essencial, equipamentos e serviços
- Reestatização de todo o setor de saneamento básico
- Política de transporte público com outros modais com tarifa zero
- Retomada do Sistema Nacional de Habitação e das Cidades com a retomada do Ministério das Cidades e do Conselho Nacional das Cidades