O Fundo Monetário Internacional (FMI) recentemente elevou a expectativa de crescimento da economia brasileira, a previsão de elevação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional saiu de 1,6% para 1,9%.

Essa situação mostra que apesar dos gargalos a economia nacional se encontra na contramão do conjunto da economia global. O FMI reduziu de 3,3% para 3,1% o crescimento do PIB Global.

A taxa de desemprego se encontra em 5,8%, o equivalente a 6,2 milhões de pessoas. Esse é o menor percentual da série histórica desde 2012. Atualmente o país tem 102 milhões de pessoas ocupadas. O percentual de informalidade é de 37,5%, entorno de 38,5 milhões de pessoas, o menor número desde 2020.

Segundo dados do Novo Caged a maioria dos empregos criados nos últimos anos são nos setores de serviços e comércios, o que significa que são postos de trabalho com menor especialização e remunerações baixas.

De acordo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), em torno de 80% da população brasileira se encontra endividada. Este é o maior percentual já registrado na série histórica desde 2010. A Serasa aponta que 50% da população adulta do país detém o status de inadimplente, ou seja, com o nome sujo. Grande parte dessas pessoas tem se endividado para custear despesas básicas.

O preço da cesta básica teve elevação em todas as 27 capitais do país no mês de março. Essa elevação foi puxada pelos seguintes produtos: feijão, batata, tomate, carne bovina de primeira, leite e açúcar. Os maiores preços foram em São Paulo (R$883,94), Rio de Janeiro (R$867,97) e Cuiabá (R$838,40); Os menores foram em Aracaju (R$598,45), São Luís (R$634,26) e Rio Branco (R$641,15). As capitais que tiveram aumentos mais expressivos foram Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%) e Belo Horizonte (6,44%).

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) dos últimos doze meses aponta uma deflação de -1.83%. Porém, o Índice de Alugueis Novos aponta uma elevação de 8,63% nos preços para o mesmo período.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se encontra em 4,14% no acumulado dos últimos doze meses, mantendo-se a baixo do teto de 4,5%. O Boletim Focus do Banco Central do Brasil (Bacen) espera que este índice termine o ano em 4,80%.

O câmbio mostra uma valorização do real frente ao dólar, com este último terminando nos últimos dias abaixo dos R$5,00. A expectativa do Bacen é que este ano termine com o dólar em R$5,30.

A taxa de juros se encontra em 14,5% ao ano. Essa foi a segunda redução realizada pelo Bacen nos últimos dois anos. O último Boletim Focus está prevendo que a mesma termine em 13% neste ano de 2026, ou seja, a continuidade de uma política contracionista que retira investimentos da economia real, deslocando-os para economia especulativa para encher os bolsos dos banqueiros.

O contexto mencionado acima destoa da linha política orientada pelo presidente Lula, que tem denunciado essa taxa de juros absurda, sem pé nem cabeça, já que há controle inflacionário e fiscal por parte do governo. Isso só tem acontecido porque o Bancen foi “privatizado” para os banqueiros com a chamada autonomia do mesmo. Isso impede que o Presidente da República que foi eleito pelo voto popular para implementar seu programa político o faça. Na prática significa que o Presidente da República não pode modificar a presidência da principal autoridade monetária do país em caso de descompatibilização com os interesses do Poder Executivo e do programa eleito nas urnas.

Essa situação de retirada de recursos da economia real para a economia especulativa pode ser verificada quando observamos uma taxa de investimento no Brasil que se encontra em 16,8%, bastante distante da média mundial, que está na casa de 25%. Alguns economistas apontam que a taxa de investimento brasileira é equivalente a de um país em guerra.

Outro dado concreto que corrobora para essa avaliação é o de que no ano de 2025 o PIB da Indústria da Construção Civil foi de 0,5%, decepcionando a expectativa de expansão difundida pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), que estava em 1,3%. A maioria das unidades habitacionais contratadas no novo Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, são unidades do estoque imobiliário que foram construídas ainda nos governos Lula e Dilma de antes do golpe de 2016.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o peso do conjunto da indústria no PIB está na casa de 24%, revelando uma leve recuperação quando comparado com o governo anterior. Esse percentual chegou ao seu ápice na década de 80, quando representava 48%. No ano passado o PIB da Indústria foi de 1,4%, ficando abaixo dos 2% que era esperado.

O atual governo democrático-popular tem conseguido números que devem ser considerados e não podem ser menosprezados, houve avanços que precisam ser reconhecidos no âmbito econômico e da retomada dos programas sociais. Mas uma coisa é o reconhecimento de quem faz o exercício de análise política e econômica desses números, outra coisa é o que a população tem sentido na vida real. Números e gráficos não enchem barriga.

O fato das condições de sobrevivência da classe trabalhadora terem sido esmagadas durante os anos do golpe de 2016 exige do conjunto das forças políticas patrióticas, democráticas e revolucionárias, realizar entregas muito além do que medidas paliativas, que não mudem efetivamente a situação.

Os postos de trabalho e, por conseguinte, os salários, não estão dando conta de enfrentar a situação econômica, em que o acumulado nos preços dos itens de necessidades básicas estão caros e além do povo se encontrar na situação desesperadora de asfixia orçamentária por meio do endividamento, encontrando-se numa verdadeira camisa de força sem possuir ferramentas para sair dessa situação.

Isso se dá por conta da política contracionista que retém o dinheiro de investimentos para coloca-lo nas mãos dos especuladores através da elevada taxa de juros e com o ajuste fiscal voltado para o superávit primário e para o pagamento dos serviços da dívida pública.

Por mais que hajam boas medidas que estão sendo conduzidas pelo governo, como a isenção do Imposto de Renda, a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala 6x1, elas não mudam a estrutura política-econômica do país de maneira efetiva, mantém intactas ainda as bases neoliberais introduzidas a partir da década de 90 e aprofundadas com o golpe de 2016.

Essa situação tem levado o Brasil a uma desindustrialização sem precedentes, mostrando que muito mais do que na década de 60, o país precisa das reformas de base para libertar o país do parasitismo financeiro que sacrifica o conjunto do esforço nacional que ainda é possível ser executado, para saqueá-lo para aumentar os lucros dos banqueiros nacionais e internacionais.

O foço é imenso. Os retrocessos são enormes. E as políticas públicas paliativas já se mostraram incapazes de resolverem os grandes problemas nacionais. É preciso escutar o legitimo clamor popular de insatisfação com o que ai está e por em prática uma política antissistema que dê conta verdadeiramente de transformar a vida das pessoas. O Brasil precisa voltar a sonhar e somente um político com a estatura do presidente Lula pode nos conduzir para esse caminho. E essa condução por esse caminho só pode existir se as organizações populares se mobilizarem de maneira independente para alcançar esse objetivo.