O imperialismo capitalista é a forma de organização política, econômica e social, mais opressora, repressora, exploradora e excludente já existente na história da humanidade. O seu processo de declínio, ao invés de arrefecer essa característica, a faz ser atenuada.
Tensões geopolíticas na região asiática
A China tem, em matéria de capacidade produtiva e de comercialização, ultrapassado os países imperialistas, em um processo sistemático de intensificação da produtividade do trabalho. Apesar desse processo de superioridade nesse âmbito, isso não tem sido o suficiente ainda para superar a hegemonia imperialista de maneira geral.
A corrida armamentista
Mesmo sem uma eminente e irreversível situação de superação do estágio superior do capitalista (imperialismo), o referido já toma medidas para se prevenir de uma antecipação de seu colapso completo e procurarei apontar alguns fatos que contribuem para evidenciar isso no âmbito do orçamento de defesa de determinados países asiáticos.
O Japão para o ano de 2026 elevou 9,4% o seu orçamento de defesa em comparação com 2025. São R$ 318 bilhões investidos no setor, com o objetivo de alcançar o equivalente a 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Essa medida torna o Japão no terceiro maior investidor no setor de defesa do mundo, ficando atrás somente dos EUA e da China.
Taiwan vai investir o equivalente a 3,3% de seu PIB na área de defesa e tem a perspectiva de elevá-lo para 5% até 2030. O governo de Taiwan anunciou que irá investir ao longo dos próximos oito anos cerca de US$ 40 bilhões. Os EUA anunciou um pacote de venda de armas para Taiwan equivalente a US$ 11,1 bilhões.
Recentemente a China tem ampliado a realização de exercícios militares próximos a Taiwan em resposta a essa situação. Somente no ano de 2025 a China já tinha executado um processo de aumento em investimentos em defesa, com uma elevação na casa de 7,2%.
O governo sul-coreano através do presidente Lee Jae Myung informou que pretende se deslocar da décima posição para a quarta maior indústria bélica do mundo. O aumento no orçamento de defesa para 2026 é na casa de 8,2%, o que significa que ficará em US$ 47,1 bilhões.
A guerra comercial como prelúdio
A guerra comercial com a China iniciada pelo governo dos EUA não foi por acaso, ela apenas precipitou um processo que vem sendo preparado para enfrentar os países que ousam exercer sua soberania nacional através do desenvolvimento econômico e comercialização em melhores condições que os países imperialistas. Esse processo se fechará em última instância através do conflito bélico.
Os investimentos massivos em defesa por parte dos países asiáticos revelam uma preparação sistemática para um confronto cada vez mais provável na região. A crescente tensão entre China e Taiwan, apoiada pelos EUA, representa um dos pontos mais críticos que poderia deflagrar um conflito de grandes proporções.
O declínio do imperialismo
Essa escalada militar na Ásia demonstra como o imperialismo em declínio utiliza métodos cada vez mais agressivos para tentar manter sua hegemonia. A incapacidade de competir economicamente com a China leva os EUA e seus aliados a apostar na força militar como forma de conter o avanço chinês.
Os números dos orçamentos de defesa revelam uma corrida armamentista sem precedentes na região, com investimentos bilionários que poderiam ser destinados ao desenvolvimento social e econômico das populações. Em vez disso, são direcionados para a indústria da guerra, alimentando os lucros do complexo militar-industrial.
A soberania nacional sob ataque
O que está em jogo na Ásia é o direito dos povos de determinarem seu próprio destino de desenvolvimento. A China e outros países da região demonstraram que é possível construir um modelo econômico alternativo ao neoliberalismo imperialista, baseado no planejamento estatal e no desenvolvimento soberano.
Essa experiência representa uma ameaça direta à hegemonia estadunidense, que historicamente impõe seu modelo econômico e político aos demais países. A reação militarista dos EUA e seus aliados revela a incapacidade do imperialismo de aceitar a perda de sua posição dominante.
A escalada de conflitos na Ásia representa um dos fronts mais perigosos da crise sistêmica do capitalismo imperialista, onde a disputa por hegemonia econômica e política assume contornos cada vez mais militares.
Gabriel Araújo é analista político e militante dos movimentos populares