Do total de pessoas que foram atendidas nos hospitais, 91% já receberam alta e se encontram fora de perigo.

Foram 856 edifícios afetas, sendo que 190 estão colapsados por completo. O governo bolivariano disponibilizou 94 acampamentos transitórios, que atualmente atendem há 19 mil pessoas e possuem capacidade de atender até 24 mil.

Os cálculos iniciais do governo bolivariano estimam que será necessário realizar a produção de 25 mil unidades habitacionais. Para conseguir alcançar esse feito a presidente Delcy Rodriguéz (PSUV) lançou a Gran Misión Venezuela Renascida, que tem a tarefa de reconstruir e recuperar moradias, e a infraestrutura.

Essa situação aconteceu em um momento em que o país, no terreno econômico, estava conseguindo superar os bloqueios que o imperialismo lhe impunha através de sanções há vários anos. Essa superação se dava mesmo após a pandemia da covid-19.

Isso só foi possível porque a Venezuela apostou em fortalecer as instâncias de deliberação e organização popular, que atuaram na situação política-econômica para superar essa circunstância por meio de um do processo de substituição de importações, ou seja, a Venezuela passou a produzir grande parte dos produtos que são consumidos internamente e isso tem levado com que o país consiga alcançar sucessivamente significativos resultados de crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Nesse sentido, com essa recente experiência em ultrapassar as adversidades impostas pelo imperialismo, podemos esperar que os próprios venezuelanos despendam um enorme esforço interno para superar essa situação. Porém, vale lembrar que apesar dessa relativa superação, o povo venezuelano e sua Revolução Bolivariana ainda se encontram em cerco político, econômico e militar, por parte do imperialismo, principalmente pelos EUA. Comprovação disso foi o recente sequestro do presidente Nicolas Maduro (PSUV) e da primeira combatente, Cília Flores (PSUV), e das chantagens que daí decorreram para que não houvesse uma ação militar mais contundente e uma tentativa de acabar pela força com o regime político do chamado Socialismo do Século XXI.

O Estado brasileiro, através do governo do presidente Lula (PT), vem executando ações de solidariedade com a Venezuela. Essas ações de solidariedade foram divididas em duas etapas, sendo a primeira com respostas emergenciais que já estão sendo colocadas em práticas, e a segunda com será no processo de reconstrução. E é sobre essa segunda ação de solidariedade que quero chamar atenção, porque ela que poderá conter verdadeiras medidas de solidariedade que sejam condizentes com o tamanho de nosso país e de sua responsabilidade para com as nossas nações irmãs.

Que a Venezuela e seu povo possuem capacidades de superar essa situação, principalmente no âmbito da construção civil nas áreas de produção habitacional e obras de infraestrutura, isso é algo inegável. Todos tem conhecimento disso, não há margens para dúvidas. Mesmo diante do brutal bloqueio econômico ao país e a queda da principal entrada de recursos financeiros com as oscilações dos valores dos barris de petróleos, foram entregues mais de 5,3 milhões de unidades habitacionais através da Gran Misión Vivienda Venezuela, que é o programa habitacional do governo bolivariano e que tem 15 anos de existência.

O governo bolivariano já anunciou que muito breve irá entregar as primeiras 200 unidades habitacionais para famílias atingidas.

A grande questão que está colocada é: como facilitar o processo de recuperação das áreas atingidas? De qual maneira o Brasil pode contribuir para que as famílias que foram desabrigadas, os estabelecimentos comerciais e equipamentos públicos que foram destruídos, possam ser reconstruídos?

O Ministério das Cidades, através do Secretário Nacional de Habitação, Augusto Rabelo, e a Caixa Econômica Federal, por meio da Vice-presidente de Habitação, Inês Magalhães (PT), estiveram reunidos com a Presidente Delcy Rodriguéz (PSUV), para prestar solidariedade, se colocar à disposição para contribuir na reconstrução das áreas atingidas pelos terremotos e tomar pé de como estava a situação dos referidos locais.

No dia 10 de julho, o presidente Lula (PT) efetuou uma ligação com a presidente Delcy Rodriguéz, tratando justamente das duas etapas das ações de solidariedade do governo brasileiro. Lula também se reuniu com representantes da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que pautaram essas ações e sua importância.

Essas demonstrações públicas de solidariedade e preocupação com a recuperação da Venezuela são ações de grande importância, tendo em vista que é um país que está sob constantes ataques por parte do imperialismo. Porém, ainda não está bem desenhado como que ações de maior magnitude vão se dar e é necessário chamar atenção para isso, porque as demonstrações públicas tem de se desdobrar em medidas concretas de solidariedade.

O Brasil precisa disponibilizar recursos financeiros, técnicos, científicos e políticos, por meio do BNDES, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e entre outras instituições, para o processo de reconstrução das localidades atingidas pelos terremotos, mas também constituir uma agenda política-econômica bilateral com a Venezuela que possibilite que o país vizinho tenha alternativas reais para sair do cerco imperialista e conseguir consolidar ainda mais as vitórias que foram construídas pela Revolução Bolivariana.

A vitória do povo venezuelano não se restringe apenas ao seus limites fronteiriços e isso foi comprovado com a própria derrota relativa do golpe de 2016 aqui no Brasil. A solidariedade e a resistência venezuelana nesse período foram decisivas para que conseguíssemos obter nosso êxito em 2022, e será fundamental para seguirmos avançando nesse ano de 2026 com a conquista do quarto mantado do presidente Lula. E isso precisa ser dito, para que essa questão da solidariedade não se torne algo abstrato e da boca para fora. A solidariedade tem de existir para alcançarmos objetivos comuns e concretos que permitam o avanço da luta dos trabalhadores onde quer que seja.

Por isso é de suma importância, que o conjunto dos membros do Conselho das Cidades, atuem junto ao Ministério das Cidades, na construção de uma agenda política-econômica de solidariedade efetiva e constante com o povo venezuelano, para a reconstruir as áreas atingidas e consolidar a vitória da Revolução Bolivariana.

O Brasil é o maior país da América Latina, com maior capacidade política-econômica, e precisa agir como tal. É nossa responsabilidade cuidar dos nossos irmão e companheiros, principalmente aqueles que nunca nos abandonaram, inclusive, nos piores momentos da vida política recente do país. É tarefa dos revolucionários e patriotas, exigirem do nosso governo democrático-popular, ações concretas e contundentes, que contribuam para a recuperação da Venezuela.