O continente europeu e os regimes políticos dos países que o compõem estão em um processo de decadência que dia após dia tem ficado mais nítido. O conhecido bloco imperialista “democrático” que governava esses países tem ruído de forma muito veloz.

Manifestações contra as políticas neoliberais na Europa

Toda essa situação pode ser resumida de forma imediata pela destruição dos direitos dos trabalhadores com a implementação de uma feroz política econômica neoliberal desde a década de 1980 e os gastos militares que não possuem o menor sentido para população, que após todos esses anos tem consciência de que as aventuras belicistas do imperialismo não surte nenhum efeito na melhora de suas condições de vida. Pelo contrário, a ofensiva europeia contra a Rússia por exemplo, tem inflacionado o preço dos alimentos e da energia, ocasionados pelas sanções contra os russos devido a guerra da Ucrânia e o boicote à aquisição de fertilizantes e energia.

A submissão aos EUA

Nos últimos anos a Europa abriu mão de sua industrialização e de sua capacidade militar em troca de uma proteção norte-americana nesses temas. Em um mix de confiança nessa proteção e também de imposição para que tomasse determinadas posturas, acabou entrando em uma sinuca de bico como no caso da Ucrânia, em que estimulou o referido país a ser bucha de canhão em uma guerra onde claramente não poderia sair vitorioso.

A situação sobre os desdobramentos da guerra da Ucrânia é a principal demonstração do processo de colapso constante que a Europa está vivenciando. Enquanto o povo dos países europeus vem sofrendo, seus governantes tem despejado bilhões de euros no conflito.

Crise econômica na Europa

A ascensão da extrema-direita

A ascensão de partidos como do Irmãos de Itália de Giorgia Meloni, o crescimento do Reunificação Nacional de Marine Le Pen na França, do Reforme o Reino Unido Nigel Farange na Inglaterra e do Alternativa Para Alemanha (AfD) – para ficar apenas nesses exemplos – são expressões políticas do processo de declínio do tal imperialismo “democrático” que vem perdendo espaço para a extrema-direita.

O despontar da extrema-direita enquanto resposta política a essa situação de esmagamento que o imperialismo submeteu a população europeia também é reflexo da orientação política equivocada da esquerda, que em nome da pseudodemocracia capitalista com receio da extrema-direita busca se alinhar dos o tal imperialismo “democrático”, acabando por se vincular a impopularidade de quem implementa a destruição das condições de sobrevivência da população.

A falência da esquerda tradicional

Ou seja, ao invés de canalizar o descontentamento antissistema que toma o continente europeu, para apontar para um verdadeiro processo de ruptura com imperialismo em todas as suas tonalidade, apresentar um programa político econômico de industrialização e de garantir dos direitos sociais, a esquerda se atrela com os genocidas econômicos responsáveis por gerar milhões de famintos pelo mundo e por efetuar várias guerras para saquear países.

A extrema-direita, pelo contrário, tem apresentado diretrizes políticas, a maioria delas de maneira demagógica – característica fundamental da extrema-direita e do fascismo – que vão no sentido de sanar essas debilidades provocadas pela implementação da política econômica neoliberal.

O deslocamento para o fascismo

Por outro lado, a ascensão da extrema-direita também reflete um próprio deslocamento da burguesia imperialista em seu conjunto para o fascismo. As circunstâncias de crise estão dadas e tem seguido seu fluxo de agravamento, o que coloca para a burguesia a necessidade de adotar métodos fascistas para combater o processo insurrecional da classe operária que se avizinha e que é inevitável, dado o grau de exploração, exclusão e repressão que vem sendo imposto.

O próprio governo dos EUA é exemplo disso. A transição para o fascismo não é um fenômeno exclusivamente europeu, mas parte de um processo mais amplo de crise do capitalismo imperialista em nível global.

A necessidade de ruptura

Sendo assim, cabe as organizações proletárias deixarem de mão os neoliberais impopulares, que de garantidores da democracia eles não tem nada, como podemos ver no caso norte-americano, com o fascismo ascendendo os mesmos vão parar em seu colo. É necessário também abandonar a política identitária que apenas nos distancia do trabalhador, discutindo coisas supérfluas que não enchem a barriga de seu ninguém.

É preciso trabalhar entorno das reivindicações concretas das amplas massas trabalhadoras e através disso construir um processo de organização que nos prepare para situação agravamento da crise que está em andamento nesse exato momento.

A crise sistêmica

A crise europeia não é um fenômeno isolado, mas parte da crise sistêmica do capitalismo imperialista. A incapacidade de responder às necessidades básicas da população, combinada com a submissão aos interesses norte-americanos e a corrupção das elites políticas locais, cria um cenário de profunda instabilidade social e política.

A experiência europeia oferece importantes lições sobre os limites do reformismo e da colaboração com as elites dominantes. A esquerda que busca se manter no poder através de alianças com as forças do imperialismo acaba se tornando cúmplice da destruição dos direitos trabalhistas e sociais.

A única saída real para a crise europeia passa pela ruptura com o imperialismo e a construção de um projeto alternativo que coloque as necessidades das massas trabalhadoras acima dos lucros do capital e dos interesses geopolíticos das potências imperialistas.


Gabriel Araújo é analista político e militante dos movimentos populares