Nenhuma sociedade pode se considerar verdadeiramente desenvolvida enquanto milhões de pessoas continuarem privadas do direito fundamental à moradia digna.
Ao longo da história brasileira, foram os movimentos populares que ocuparam as ruas, organizaram comunidades e deram voz àqueles que por décadas permaneceram invisíveis aos olhos do poder público. Foram essas organizações que transformaram a moradia em pauta prioritária, denunciando o déficit habitacional, a especulação imobiliária e a exclusão territorial que empurram milhares de famílias para áreas precárias, sem infraestrutura, saneamento, mobilidade ou segurança.
Todos nós sabemos que a luta pela habitação não se resume à construção de casas, pois trata-se de garantir pertencimento, identidade, acesso à cidade e condições para que homens, mulheres, crianças e idosos possam viver com dignidade. Uma moradia adequada representa proteção, estabilidade, saúde física e emocional, oportunidade de estudo, trabalho e desenvolvimento humano.
Entretanto, muitos estados brasileiros convivem com profundas desigualdades urbanas, onde o crescimento das cidades ocorre de forma desordenada, ampliando periferias vulneráveis e aprofundando a segregação socioespacial. Nesse contexto, fortalecer as políticas de habitação de interesse social significa investir na redução das desigualdades, na promoção da inclusão social e na construção de cidades mais humanas e sustentáveis.
Os movimentos populares continuam exercendo um papel fundamental nesse processo. São eles que mantêm viva a esperança de milhares de famílias, pressionam por políticas públicas mais eficientes e lembram que o desenvolvimento não pode ser medido apenas por indicadores econômicos, mas pela capacidade de garantir qualidade de vida para todos.
A verdadeira transformação social acontece quando o direito à cidade deixa de ser privilégio de poucos e se torna patrimônio coletivo. Defender a habitação de interesse social, portanto, é defender vidas, sonhos e futuros. É reconhecer que dignidade não se negocia, se assegura, e que nenhuma nação alcançará justiça social plena enquanto existir uma única família sem acesso a um lar seguro, adequado e capaz de acolher seus projetos de vida.
Moradia digna não é apenas uma necessidade habitacional, é o alicerce da cidadania, da inclusão social e da construção de um futuro mais justo para todos.”
Sandro de Menezes Azevedo Coordenador Estadual MNLM/SE